Parque Estadual Cunhambebe

A criação do Parque Estadual Cunhambebe (PEC), em junho de 2008, se baseou nos estudos realizados pelo ITPA, que também se encarregou da mobilização para todas as consultas públicas realizadas. Em 2011, o instituto voltou novamente seus olhos para a área, agora com o objetivo de formular seu plano de manejo, o cadastro fundiário, sinalização, projetos de comunicação e demarcação, além do desenvolvimento de um ecoturismo de base comunitária.

Uma equipe de consultores em diversas áreas (geografia, biologia, sociologia, etc) já está em campo para compor estudos do plano de manejo ou preparar as outras ações. O projeto começou em setembro/11, e vai se estender até o fim de 2012.

Com 38.053 hectares, o PEC é o segundo maior parque administrado pelo estado do Rio de Janeiro, atrás apenas do Parque Estadual dos Três Picos. A área abarca porções dos municípios de Mangaratiba, Angra dos Reis, Rio Claro e Itaguaí. Além da implantação do PEC o projeto do ITPA inclui a estruturação também da Área de Proteção Ambiental de Mangaratiba, contígua ao parque, com 23 mil hectares, que terá gestão compartilhada com o PEC.

O PEC possui 99% de cobertura florestal em bom estado de conservação, abrigando um trecho de Mata Atlântica ainda pouco estudado, porém, com usos conflitantes históricos tais como a extração de palmito, a caça e a captação de água sem respectiva outorga, entre outros. A expectativa, contudo, é que a área guarde importantes espécimes da flora e da fauna ameaçadas de extinção e endêmicos: como macaco muriqui e diversas espécies de orquídeas e bromélias, por exemplo.

Sua floresta bem conservada representa uma importante peça do imenso mosaico de unidades de conservação que protegem a maior extensão contínua de Mata Atlântica no Corredor de Biodiversidade da Serra do Mar. Ao mesmo tempo, sua proteção contribui para reconectar a área de mata fragmentada que compõe o Corredor de Biodiversidade Tinguá-Bocaina.

Origem do nome
No início da colonização brasileira, os portugueses entraram no litoral sul fluminense e norte de São Paulo atarvés de uma aliança com o cacique Tibiriçá, líder dos Guainazes (então baseados em São Paulo) para a catequese e escravização dos índios. Chefes de seis aldeias diferentes (divididas em quatro tribos) se juntaram e formaram a Confederação dos Tamoios para a defesa. O principal nome, escolhido por todos, era o de Cunhambebe, cacique Tupinambá da aldeia situada onde hoje está localizado o município de Angra dos Reis.

Ele ajudou a fortalecer a Confederação e sempre obteve sucesso na luta contra os portugueses. Hoje, o nome do maior distrito da cidade de Angra dos Reis é Cunhambebe, cuja abrangência é parte da área em que foi implantado o Parque Estadual. Seu nome é uma homenagem a este importante líder indígena da região.

Identificação da área
O estudo de áreas com potencial ecológico para serem incorporadas ao PEC, realizado pelo ITPA na época de sua criação, seguiu algumas diretrizes fundamentais, como características das tipologias vegetais mapeadas, relevo, ocupação e uso do solo, legislação ambiental e hidrografia.

A partir destas análises, foi elaborado o Mapa de Áreas com Potencial para Incorporação ao Parque Estadual do Cunhambebe. Fez-se necessário, também, visitas de campo para ajustar as diferenças entre os mapas e a realidade, como a plantação de bananas e pequenas ocupações situadas dentro da mata, ocultadas pela escala das bases cartográficas disponíveis.

Características
Suas montanhas e cachoeiras são alguns dos principais atrativos do Parque Estadual do Cunhambebe, e seus destinos são muito procurados para esportes como caminhadas,  travessias e escaladas. A relevância desta unidade para a conservação da natureza é explícita no volume de florestas bem conservadas por sua área total: 95%. Ela forma um contínuo florestal, juntamente com Parque Nacional da Serra da Bocaina e a Terra Indígena do Bracuhy. Também são encontradas em seus limites diversas áreas de interesse histórico cultural tais como inúmeras ruínas de fazendas, cidades e estradas da época áurea da produção de café no vale do Paraíba.

Principais atrativos turísticos e históricos

  • Setor da Serra do Piloto: Antigas Pontes da Estrada Imperial; Cachoeira dos Escravos e Igreja de são João Marcos.
  • Setor Serra de Muriqui: Cachoeira Véu da Noiva.
  • Setor Vale do Sahy: Pedra da Conquista.
  • Setor Ribeirão das Lajes: Sítio Arqueológico das ruínas de são João Marcos; Reservatório.
  • Setor Serra das Três Orelhas: Pico das Três Orelhas; Bico do Papagaio; Pedra Chata.
  • Setor Serra D´Água – travessia Lídice -Angra

Implementação do Parque
Atualmente, o projeto que vai, de fato, implementar o Parque Estadual do Cunhambebe, para que ele cumpra os objetivos estabelecidos à época de sua criação, está no final de suas atividades e é liderado pelo ITPA em parceria com empresas e outras instituições, além, é claro, do Inea – Instituto Estadual do Ambiente, órgão responsável pela sua gestão.

“Iniciamos a parte de planejamento dos Plano de Manejo, esta etapa envolve o zoneamento das UC’s, a elaboração dos planos setoriais e projetos específicos para execução nos próximos 5 anos.  Já foram realizadas, pelo menos,  cinco reuniões técnicas com o conselho consultivo da unidade de conservação, mais umas cinco com a comissão de acompanhamento do Projeto (Inea) e foi criado um grupo de trabalho no conselho consultivo para acompanhamento do e planejamento participativo”, explica João Ferraz, coordenador do projeto de implementação do parque.

O ITPA entregou ao Inea um projeto de demarcação física que prevê a instalação de 15km de cercas em áreas consideradas críticas, 57 placas com informações sobre conduta consciente no interior do PEC e informações sobre unidades de conservação, além de a instalação de 60 marcos geodésicos para facilitar o mapeamento das propriedades bem como definir seus limites.

Abaixo, um resumo das principais realizações em cada um das metas do projeto:

Plano de Manejo
A elaboração do diagnóstico já foi concluída ecerca de 150 planos de informação (geologia, solos, geomorfologia, declividades, etc) foram gerados. Todas essas informações foram organizadas em um banco de dados espacial  georreferenciado. Para a validação destas informações mais de 1.000 horas de trabalho de campo foram realizadas alésm do mapeamento de mais de 50 mil hectares com uso de imagens de satélite de alta resolução. Com base destas informações um mapa de fragilidades foi gerado para auxiliar no zoneamento do PEC.

Agora a fase é de planejamento e elaboração dos projetos específicos e planos setoriais. Os custos do Cunhambebe estão sendo consolidados com base na metodologia do IMC (Projeção de Investimentos Mínimos para Conservação), que leva em consideração as despesas correntes de infra-estrutura e manutenção, permite a projeção para cenários futuros considerando a  inflação, a desvalorização da moeda, etc.

A inserção do PEC no contexto de economia verde também está sendo elaborada, uma vez que esta UC  é responsável pela proteção das florestas e serviços ambientais associados tais como a contenção das encostas de Angra dos Reis e Mangaratiba, “produção” de água para abastecimento dos municípios circundantes e para geração de energia elétrica no sistema Ribeirão das Lages, este responsável pelo fornecimento de 1/3 da energia consumida na região metropolitana do RJ. Também foi modelado um fundo de sustentabilidade para a unidade de conservação e stakeholders com base na legislação vigente.

Esta temática é nova e pela primeira vez é apresentada em um plano de manejo de Unidade de Conservação.

Regularização Fundiária
Talvez este seja o assunto mais complexo quando se trata de qualquer unidade de conservação de proteção integral. No PEC não é diferente, seu limite extremamente recortado evidencia este conflito fundiário e dificulta muito sua gestão. Com o objetivo de minimizar estes conflitos foi realizado um levantamento cartorial e de campo de aproximadamente 60% da área total do parque, com mais de 400 pontos inferidos em campo, sendo 170 dentro dos limites do PEC. Complementando estas informações foram aplicados questionários, conhecidos como  fichas de informação  funidária (FIF), com moradores e proprietários.

Ecoturismo de Base Comunitária
Em parceria com a ONG Instituto Amigos da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (IA-RBMA), foram realizadas mais de 200 horas de aula de capacitação para 42 moradores no entorno do PEC, além de um intercâmbio com monitores do PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira).

Sinalização

Foram instaladas 35 placas com indicação dos limites do PEC e APAMAN.

Comunicação
Elaborado projeto de comunicação e já entregue ao Inea, além da instalação das 35 placas acima citadas nos mais de 400 quilômetros de perímetro do parque. Criação de folder de apresentação do projeto e do parque, com impressão de 1000 exemplares, além de cadernos temáticos e vídeo institucional do parque.

Plano de Sustentabilidade Financeira
O Plano de Sustentabilidade Financeira já foi modelado e os steakholders mapeados em parceria com a Nexucs.

Fortalecimento do Conselho Consultivo
Já foram realizadas nove reuniões ordinárias, montadas duas câmaras temáticas (1 de turismo e 1 de acompanhamento dos planos de manejo), elaborado regimento interno, 140 horas de diagnóstico e planejamento participativo (parceria com Nexucs e ONG Valor Ambiental), além de previsão de mais de duas oficinas para elaboração de projetos específicos. Também foram definidos missão, visão de futuro e mapa estratégico.

Missão: “Proteger os ecossistemas, conservando a biodiversidade e os recursos naturais, deste fragmento significativo de Mata Atlântica, fundamentado na gestão participativa e contribuindo para o desenvolvimento sustentável da região e para a consolidação do Corredor de Tinguá-Bocaina”

Visão de Futuro: “Ser reconhecida pela população do entorno como uma área protegida que oferece possibilidades de geração de renda por meio de alternativas econômicas sustentáveis”.

GALERIA DE FOTOS

DOCUMENTOS

asileira, os portugueses entraram no litoral sul fluminense e norte de São Paulo e fizeram aliança com o cacique Tibiriçá, líder dos Guainazes (então baseados em São Paulo) para a catequese e escravização dos índios. Chefes de seis aldeias diferentes (divididas em quatro tribos) se juntaram e formaram a Confederação dos Tamoios para a defesa. O principal nome, escolhido por todos, era o de Cunhambebe, cacique Tupinambá da aldeia situada onde hoje está localizado o município de Angra dos Reis.

Ele ajudou a fortalecer a Confederação e sempre obteve sucesso na luta contra os portugueses. Hoje, o nome do maior distrito da cidade de Angra dos Reis é Cunhambebe, cuja abrangência é parte da área em que foi implantado o Parque Estadual. Seu nome é uma homenagem a este importante líder indígena da região.

Identificação da área

O estudo de áreas com potencial para serem incorporadas ao Parque, realizado pelo ITPA na época de sua criação, seguiu algumas diretrizes fundamentais, como características das tipologias vegetais mapeadas, relevo, ocupação e uso do solo, legislação ambiental e hidrografia.

A partir destas análises, foi elaborado o Mapa de Áreas com Potencial para Incorporação ao Parque Estadual do Cunhambebe. Fez-se necessário, também, visitas de campo para avaliar pequenas divergências entre os mapas e a realidade, como a plantação de bananas e pequenas ocupações situadas dentro da mata.

Características

As montanhas são alguns dos atrativos principais do Parque Estadual do Cunhambebe, e seus destinos são muito procurados para esportes como caminhadas e travessias, além de escalada. A relevância desta unidade para a conservação da natureza é explícita no volume de florestas bem conservadas por sua área total: 95%. Ela forma um contínuo florestal, juntamente com Parque Nacional da Serra da Bocaina e a Terra Indígena do Bracuhy.

Principais atrativos turísticos e históricos

  • Setor da Serra do Piloto: Antigas Pontes da Estrada Imperial; Cachoeira dos Escravos e Igreja de são João Marcos.
  • Setor Serra de Muriqui: Cachoeira Véu das Noivas.
  • Setor Vale do Sahy: Pedra da Conquista.
  • Setor Ribeirão das Lajes: Sítio Arqueológico das ruínas de são João Marcos; Reservatório.
  • Setor Serra das Três Orelhas: Pico das Três Orelhas; Bico do Papagaio; Pedra Chata.
  • Setor Serra do Sinfrônio: Pico do Sinfrônio.